Oração de Uma Maltrapilha

"Que a podridão do meu ser por mim não seja esquecida. A culpa, essa sim, deve ser apagada. Para que assim eu ceda o lugar ao teu perdão e em alta voz clame: Obrigada senhor por amar os maltrapilhos, por chamá-los de filhos, pelos cravos que me redimiram"

quinta-feira, 5 de março de 2009

Seu Mário

Quando eu soube da morte fiquei em choque. Demorei a processar, depois derramei umas lágrimas teimosas que insistiram em cair. Voltei no tempo e mais uma vez eu revivi duas mortes que foram realmente traumáticas.
Quando a morte vem tudo acaba. Não temos segundas chances ou uma última oportunidade de dizer o que não foi dito, só nos cabe orar para que a culpa venha e rapidamente deixe em paz o coração ferido.
Eu queria tê-lo visto antes de saber que não o veria mais e quase iniciei o post com um SONORO "Querido 'seu' Mário", depois desisti. Ele não vai ler esse diário e nem vai conhecer o meu coração tolo e culpado.
Eu deveria ter ido a missa de setimo dia, mas não acredito que aquilo vá mudar algo, talvez aliviasse a culpa dessa maltrapilha falha que não estava por perto quando deveria estar.
Eu desejei voltar no tempo...mas dizem que não é possível.
Normalmente eu me arrependo mas não desejo voltar no tempo, dessa vez eu queria tê-lo visto. Não seu corpo sem vida, não aquela carcaça morta, mas o verdadeiro Seu Mário. Que brigava, brincava, ria e sempre me protegia.
Vou sentir saudades infinitas e sei bem disso. Eis uma verdade imutável.
Na verdade eu queria chorar...mas as lágrimas insistentes foram as únicas e parecem ter esgotado. Então as lágrimas caem para dentro em forma torturante de dor e eu tento expelir através de uma página tosca de um diário que ninguém nunca vai ler.
Que Deus tenha misericórdia do meu coração maltrapilho ferido...

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